Dias vividos

De forma convencional, o calendário nos mostra a possibilidade de trezentos e sessenta e cinco dias anuais.
Antes mesmo que o ano inicie, assinalamos, costumeiramente, os feriados, elegemos o período das nossas férias profissionais, as viagens que desejamos realizar, os cursos que pretendemos fazer.
Enfim, idealizamos o que queremos alcançar nesse período.
Transcorrido o lapso temporal, de um modo geral, realizamos uma avaliação, constatando o que conseguimos ou não realizar.
Às vezes, lamentamos por não termos tido êxito em tudo que queríamos, ou por finalizar o ano sem emprego, ou por termos perdido fisicamente alguém a quem muito amávamos.
Ou talvez pela enfermidade que nos chegou, maltratando-nos o corpo ou a alma ou ambos.
Não é raro lamentarmos algo que fizemos mas, especialmente, algo que deixamos de fazer.
Se quem estava ao nosso lado partiu para o Além, habitualmente nos surpreendemos lamentando não ter conversado mais, não termos dedicado mais horas ao seu lado, passeado mais, saído juntos mais vezes, simplesmente para andar, para olhar o poente, colher flores.
Mentalmente, é comum ficarmos enviando mensagens a esses amores que se encontram do outro lado da vida.
E, não é raro nos descobrirmos a considerar que deveríamos ter dito muito mais vezes: Amo você! Você é importante para mim!
Nesse balanço, também podemos nos dar conta de que os dias voaram, simplesmente se foram, como folhas levadas pelo vento, sem que os tenhamos verdadeiramente vivido.
Afinal, trabalhamos tanto, corremos tanto, fizemos tantas coisas. O que, realmente, valeu a pena?
O que valeu como crescimento pessoal? Quantos livros lemos, nesses doze meses? Quantas vezes nos detivemos a olhar para o céu, descobrindo a cara redonda da lua a brilhar, entre as estrelas?
Quantas vezes andamos pelas praças e nos interessamos por parar um pouco e observar o vento desarrumando a cabeleira das árvores?
Quantas vezes, ante um delicado aroma que nos chegou, nos permitimos descobrir de onde vinha e fechamos os olhos para guardar na memória aquele momento que jamais se repetiria, com a mesma intensidade?
Quantas vezes, ante a refeição, admiramos as cores espalhadas no prato e decidimos por comer, bem devagar, verdadeiramente saboreando cada porção?
Quantas vezes sentamos ao lado do filho pequeno e o ficamos observando brincar, no seu faz de conta? Ou vimos com ele pela segunda, terceira, décima vez o mesmo desenho, sentindo verdadeiro prazer em ouvir as risadas dele, seu encantamento com os personagens animados?
E então, se somarmos todas as horas em que realizamos algo que nos fez crescer, que nos alegrou, que nos constituiu uma verdadeira experiência para ser guardada na mente e no coração, quantos dias, de verdade, teremos vivido?
O total dessa somatória nos dirá se nosso ano foi regular, bom, ótimo, excelente. Se realmente o vivemos ou somente fomos passando pelas horas, multiplicando as semanas...
Se descobrirmos que foram muito poucos os dias vividos, comecemos, hoje, a mudar nossa forma de ser.
Comecemos a viver intensamente cada minuto, cada hora. Porque viver é uma experiência inigualável e nenhum minuto volta, nenhuma cena se repete de igual maneira.
Pensemos nisso.

(Redação do Momento Espírita)
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