A quem Deus ama

Às vezes, no mundo, tecemos estranhos conceitos a respeito de quem deve ou não merecer as bênçãos de Deus.
Alguns acreditamos que o Criador dirige um olhar todo especial a determinada nação.
Outros cremos que a Infinita Justiça estabelece privilégios para os que adotamos essa ou aquela crença.
Na verdade, isso somente reflete o egoísmo de que ainda somos portadores.
Até ao falarmos na Divindade, no Amor Supremo, na Sua Providência, tecemos considerações sectaristas, esperando que Deus ame mais a nós, por esse ou aquele motivo, em detrimento dos demais.
No entanto, Deus ama a todos os Seus filhos. A todos estende as Suas bênçãos, todos os dias.
Conta-se que um bispo foi levado, certa vez, à casa de um homem idoso, que estava quase à morte.
Chegou e se apresentou, dizendo-lhe ali estar para orar por ele e o abençoar, quiçá lhe proferir a derradeira prece, no leito de morte.
O doente fixou o olhar grave sobre o religioso e lhe disse: Acho que o senhor está enganado e perdendo o seu tempo comigo.
Sou ateu por convicção. Fui político dos mais atuantes, durante a maior parte da minha vida, devotando minha juventude e meu ideal à causa da nação.
Participei da administração de meu país. Denunciei a corrupção. Voltei-me contra a opressão dos poderosos.
Defendi os interesses legítimos do povo. Fui caluniado, preso, torturado...
Passei muitos anos numa prisão infecta, em trabalho forçado, onde adquiri a doença que hoje me mata aos poucos...
Depois de uma pausa, prosseguiu: Mas não me arrependo de nada do que fiz. Pelo contrário, trago comigo a consciência tranquila por ter cumprido com o meu dever, por ter defendido os oprimidos e clamado por justiça. Haverá razão melhor para viver?
O bispo continuou a ouvir com atenção: Como o senhor vê, não tenho nada com a sua religião, porque não adoto a sua crença. Não sou, portanto, a pessoa que procura. O senhor bateu na porta errada.
O religioso era um homem de bem, alguém profundamente comprometido com o serviço ao semelhante. Reconhecia que se Deus lhe concedera a oportunidade de ser útil, lhe cabia atender muito bem sua missão.
Habituado a escutar a alma humana, profundamente sensibilizado pelo sofrimento daquele ser, fixou nele o olhar com admiração e respeito e num gesto de humildade, sorriu e disse:
Meu amigo, realmente, você já está aquinhoado com as bênçãos de nosso Pai, e eu estou aqui para pedir a sua bênção.
* * *
Jesus afirmou que chegaria o dia que haveria um só rebanho e um só pastor.
Ele estava justamente se referindo a essa necessidade de nos amarmos como irmãos, acima e além de quaisquer diferenças.
Em essência, não importa como creiamos em Deus, ou qual a denominação pela qual O reconhecemos.
O que verdadeiramente tem importância é a forma através da qual demonstramos essa crença. Ou seja, como nos revelamos autênticos filhos do Pai Celeste, irmão de todos os seres vivos da Terra.

(Redação do Momento Espírita)
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