Fortaleza no ideal




O quero-quero é uma ave muito popular no Brasil. Rui Barbosa o chamou de chanceler dos potreiros.
É um pássaro curioso. A natureza lhe deu o penacho da garça real, o voo do corvo e a laringe do gato. Os fazendeiros o apreciam porque ele faz uma enorme bagunça, quando há invasores no território.
Ele enche os descampados e as planícies com seu grito estridente, profundo.
Costuma fazer seus ninhos ao ar livre, no chão. Por isso está sempre alerta para qualquer movimento estranho.
Para defender o ninho de predadores ele grita, tenta despistar o intruso indo para um local oposto de onde se encontram seus ovos ou seus filhotes ou dá voos rasantes, chegando a dar bicadas no invasor.
O que se pode, com certeza, admirar nessa ave, que foi escolhida como símbolo do vizinho país, o Uruguai e do Estado do Rio Grande do Sul, é sua coragem.
Tivemos a oportunidade de ver uma dessas aves, em pleno campo.
Quando ela percebeu que uma colheitadeira rumou na sua direção, abriu as asas, no exato sentido de proteção aos seus preciosos bebês, ainda escondidos nas cascas.
A enorme máquina veio em sua direção, barulhenta, sem que a pequena ave sequer alterasse a sua posição de total defesa do ninho.
Ficou ali, imóvel, com seu corpo e as asas abertas, cobrindo os ovos. A máquina se aproximou, as rodas enormes passaram ao lado dela, sem que ela se movesse um milímetro.
Inacreditável. Indômita coragem.
Olhando essa pequenina ave que desafia uma máquina pesando toneladas, que a poderia simplesmente esmagar e ao seu ninho, exaltamos, naturalmente, o instinto do animal que preserva a sua futura prole.
Mesmo que isso lhe custe a própria vida.
Mas, recordamos também de homens e mulheres, de igual coragem.
Como aquele rapaz que, em 1989, durante os protestos na praça da Paz Celestial, em Pequim, ficou em pé em frente a uma coluna de tanques chineses, forçando-os a parar.
O homem segurava duas sacolas, uma em cada mão. À medida que os tanques paravam, o homem parecia tentar mandá-los embora.
Nunca se soube o nome do personagem, embora sua foto tenha corrido o mundo, graças às objetivas de quatro fotógrafos.
Não se sabe qual foi o seu destino. As histórias a respeito são conflitantes.
Algumas afirmam que ele foi preso, posteriormente e executado. Outras narram que ainda está vivo e escondido no interior da China.
De verdade, o que importa foi a sua atitude de coragem, de não violência.
A quantos terá contagiado o seu exemplo? Porque as fotos e a filmagem da sua atitude alcançaram audiência internacional quase instantaneamente.
Foi capa das principais revistas e a principal matéria de incontáveis jornais ao redor do mundo.
A revista Time o incluiu, com o título de O Rebelde Desconhecido, na lista das cem pessoas mais influentes do Século XX.
Uma ave contra a máquina. Um homem contra a violência.
Ambos, em síntese, defendendo a vida.
É de nos indagarmos o que nós, individualmente, fazemos em prol da vida.
Afinal, uma única pessoa, uma única atitude pode ter grandes e nobres repercussões.
Pensemos nisso.

(Redação do Momento Espírita)
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